Exercícios na gravidez: o que é seguro e o que deve ser evitado
Gineco-obstetra da Unimed Curitiba esclarece dúvidas sobre exercícios físicos e orienta sobre cuidados e contraindicações
A prática de exercícios físicos durante a gestação ainda gera muitas dúvidas entre as futuras mamães, especialmente sobre o que é seguro e o que deve ser evitado. Para esclarecer as gestantes e orientar sobre os principais cuidados, conversamos com a médica cooperada da Unimed Curitiba Simone Barbosa Germano, gineco-obstetra e integrante do corpo clínico do Hospital e Maternidade Nossa Senhora de Fátima.
A especialista explica quais atividades podem ser realizadas ao longo da gravidez, em quais situações o exercício deve ser evitado e porque a avaliação médica é essencial para garantir a segurança da mãe e do bebê.
Exercícios físicos podem prejudicar o bebê?
De acordo com a especialista, manter o corpo em movimento é essencial durante a gestação. O exercício físico deve ser indicado e estimulado desde o início da gravidez, respeitando sempre as particularidades de cada mulher e o estágio gestacional.
“A intensidade, a frequência e as modalidades adequadas variam conforme o histórico clínico da gestante. Por isso, antes de iniciar ou continuar qualquer atividade, é importante que a mulher passe por uma avaliação com um obstetra - especialmente porque existem contraindicações específicas”, esclarece a médica.
Quais são essas contraindicações?
“As absolutas são doença cardíaca, doença pulmonar restritiva, incompetência istmo cervical, gestação múltipla após 30 semanas, sangramento durante a gestação, placenta prévia, trabalho de parto prematuro, ruptura prematura de membrana, pré-eclâmpsia ou qualquer hipertensão arterial não controlada”, esclarece a médica.
“Já as relativas são anemia severa, arritmia cardíaca, bronquite, diabetes descompensada, obesidade extrema, desnutrição ou distúrbios alimentares, restrição de crescimento fetal, fumantes em excesso e sedentarismo”, conclui.
Quais os exercícios físicos mais indicados?
O alongamento muscular é fundamental, pois melhora a flexibilidade, ajuda a relaxar a musculatura e previne dores musculoesqueléticas.
Exercícios aeróbicos como caminhada, corrida leve (trote), bicicleta estacionária, natação, hidroginástica e dança, por exemplo, ajudam a manter a capacidade cardiorrespiratória e condicionamento físico durante toda a gestação, ajudando na prevenção e controle de diabetes, hipertensão e ganho de peso.
“Treinos de resistência muscular como musculação com cargas leves, uso de pesos livres e faixas elásticas, exercícios que utilizam o próprio peso corporal, yoga, pilates, treinamento funcional e circuito ajudam no fortalecimento muscular e aumento de força global, permitindo uma melhor adaptação da gestante às alterações posturais que ocorrem durante a evolução da gestação e previnem o desconforto musculoesquelético e ajudam no equilíbrio”, explica a especialista.
O treinamento dos músculos do assoalho pélvico durante a gestação fortalece os músculos necessários para o parto vaginal, aumenta a consciência corporal e pode reduzir o tempo de trabalho de parto e o risco de lesões perineais. Reduz dores na região lombar, pélvica e ciática, causadas pelo peso da gestação. Ajuda a diminuir o inchaço nas pernas e melhora a postura ao longo dos meses de gravidez. Além disso, ajuda na reabilitação muscular mais rápida após o nascimento, prevenindo dores crônicas ou dificuldades no controle da bexiga, prevenindo a incontinência urinária.
Qual o tempo ideal para os exercícios físicos durante a gestação?
“O ideal é fazer uma combinação de exercícios aeróbicos, resistência e alongamento muscular. O recomendado é 150 minutos de exercício aeróbico por semana, que podem ser divididos em 30 minutos, cinco vezes na semana. Nunca fazer por períodos prolongados, além de 60 minutos contínuos”, recomenda a especialista.
“Para as sedentárias, o indicado é iniciar com 15 minutos de exercícios aeróbicos 3 vezes por semana e aumentar gradativamente para 4-5 vezes por semana, por 30 minutos. As mulheres previamente ativas podem manter sua rotina de treinos adaptando-os às suas limitações e cuidados gestacionais”, complementa.
Quais os principais cuidados e precauções?
“A gestante deve evitar qualquer risco de queda ou trauma abdominal. Por isso, os exercícios de alto impacto e os esportes de contato não são indicados. Além disso, é importante fazer seus exercícios em lugares bem ventilados e, preferencialmente, pela manhã ou ao final da tarde e noite, por serem horários com temperaturas mais amenas. No caso de exercícios aquáticos, deve-se cuidar com a temperatura da água, que não deve ultrapassar os 35°C para evitar queda de pressão arterial”, afirma a gineco-obstetra.
Por fim, é muito importante se hidratar bem, durante e após os exercícios e se alimentar 30 a 60 minutos antes do treino, pois exercícios com tempo mais prolongado pode causar hipoglicemia nas gestantes.
Atividade sexual: pode ou não pode?
A sexualidade é um aspecto fundamental na qualidade de vida de qualquer ser humano, sendo importante até no período da gestação. Durante a gestação, o sexo pode e deve ser praticado se o casal assim desejar, desde que a gestação esteja evoluindo bem. As restrições à prática sexual são para gestantes com placenta prévia, alto risco de prematuridade, trabalho de parto prematuro, rompimento de bolsa antes da hora e colo uterino curto.
Durante a evolução da gestação, podem ser necessários alguns cuidados extras como evitar posições sexuais mais ousadas, não pelo ato sexual em si, mas pelo risco de queda ou trauma sobre abdômen gravídico. A penetração não oferece perigo, o que devem ser evitados são os exageros de movimentos.
No entanto, algumas situações exigem atenção especial, como casos de placenta prévia, risco aumentado de prematuridade, rompimento prematuro de membranas ou alterações no colo uterino. Nesses cenários, a orientação médica individualizada é essencial para definir os cuidados adequados e garantir a segurança da mãe e do bebê.
Antes, durante e depois da gestação, todo o cuidado especializado para o bem-estar feminino e obstétrico você encontra no Hospital e Maternidade Nossa Senhora de Fátima, da Unimed Curitiba.
Publicado em 30/03/2026 17:00h
Atualizado em 30/03/2026 17:03h