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02/02/2012

02/02/2012

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            Muito se fala em praticar exercícios físicos e ter uma alimentação saudável. Essa dupla seria uma das chaves para a qualidade de vida, em especial quando se vive em uma ambiente onde a agitação e as tentações de fast-foods são consideradas, pelos especialistas, gatilhos que favorecem a expressão de genes que estimulam mediadores bioquímicos, levando ao desequilíbrio do funcionamento celular. Resultado: infertilidade, endometriose, câncer, asma e outras doenças respiratórias, alergias, doenças autoimunes, neurológicas e metabólicas, como obesidade e diabetes, são desencadeadas.

 

            Entretanto, não basta ingerir frutas e verduras no afã de garantir saúde. “Quando se pensa em ambiente, logo nos vem à mente o mundo em que vivemos, com barulho, estresse, falta de tempo. Mas o ambiente que comanda e determina a qualidade de vida não está apenas fora. Ele está dentro de seu intestino”, frisa Thomas O’Bryan, nutricionista clínico funcional norte-americano, especialista em doenças celíacas, metabólicas e de sensibilidade ao glúten.

 

            O excesso de determinados alimentos mais industrializados é um dos itens citados pelo nutricionista que pode ocasionar danos ao intestino. O órgão possui bactérias que são benéficas ao organismo e sistema imunológico e esses produtos podem prejudicar o seu funcionamento pleno. “Temos elementos que são agressivos ao intestino de pessoas predispostas, como trigo, glúten e lactose, que geram bactérias ‘ruins’ e irritam a mucosa que reveste este órgão, levando à má absorção de nutrientes. É preciso fortalecer o nosso intestino, fazer do alimento nosso remédio”, acrescenta.

 

            Estresse e outras disfunções como a resistência à insulina podem prejudicar o desempenho nas atividades físicas, opina Marcelo Carvalho, nutricionista e personal trainer de Brasília (DF). Alguns alimentos são aliados para combater estes e outros distúrbios metabólicos. Fibras, que agem na manutenção do esvaziamento gástrico, e minerais como zinco e magnésio também estão na lista.

 

            “A romã, por exemplo, possui propriedades vasodilatadoras, já o gengibre é antioxidante e antiinflamatório. A canela tem grande potencial antioxidante e temos estudos com as propriedades do óleo de coco em reduzir gordura corporal. Quando trabalhamos com uma dieta, temos que pensar nos alimentos corretos para cada indivíduo, por isso a orientação é fundamental.”

 

 

Avaliação profissional

 

            Antes de matricular-se na primeira academia e montar por conta própria sua dieta, é necessária uma avaliação profissional, elucida Natália Marques, nutricionista graduada pelo Centro Universitário São Camilo (SP), com especialização em nutrição materno-infantil e mestre em Ciências da Saúde, ambas pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). “Tenho pacientes que ficam até oito horas malhando, outras cortaram totalmente a gordura pensando que vão emagrecer e chegar ao corpo ideal dessa forma. Obviamente que não são por meios radicais que vão conseguir”, alerta.

 

            Ela exemplifica que o cérebro precisa de ácidos graxos para produzir respostas neurológicas adequadas. Um dos conhecidos é o ômega-3, presente em óleos vegetais, alguns peixes de mar, nozes e castanhas, que atuam na redução da pressão arterial, aumentando a defesa antioxidante celular. Quando o organismo não encontra essa fonte de gordura, o fígado acaba produzindo em exagero, gerando o colesterol ruim (LDL – lipoproteína de baixa densidade).

 

            Para piorar, se o paciente for depressivo e tem a dieta pobre de gorduras, pode gerar outros distúrbios como compulsão alimentar e bipolaridade em razão da resposta deficiente cerebral. “Muitos não atletas se espelham nas dietas de maratonistas, algumas ricas em proteínas e carboidratos, e acabam tendo um efeito inverso. Perder peso não reflete somente no percentual de gordura e ganho de massa muscular. Temos pacientes que emagreceram, mas estão com percentual de gordura visceral alta”, salienta Natália.

 

            Já os esportistas diabéticos tipos 1 e 2 estão aptos a realizar atividades físicas desde que estejam como seus  níveis glicêmicos controlados. “Nos pacientes com complicações por conta do diabetes, é preciso tratar o problema antes de começar as atividades”, explica Braian Cordeiro, nutricionista formado pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e especialista em fisiologia do exercício. “Outro ponto que merece atenção é a administração de insulina nesse esportista, que deve ter uma orientação médica da dose a ser aplicada. É recomendado não trabalhar o músculo onde foi aplicada a insulina, pois se corre o risco de lesioná-lo”, pontua.

 

            A recomendação dos especialistas antes de começar uma prática é ter um aporte de equipe multidisciplinar, que fará um estudo da execução dos exercícios, assim como sua frequência, e apoio nutricional para cada pessoa, ou seja, uma dieta não pode funcionar para todos. “Se pensarmos em um time de futebol, cada jogador tem a sua dieta adequada para a melhoria de seu desempenho”, conclui a nutricionista Natália Marques.

Fonte: Revista Abramge Medicina Social de Grupo. Ano XXIX nº 216 pagina 25 – 26

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